quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Dança e Rituais

Existem valores sagrados e mágicos agregados à dança, na tradição religiosa do Vudu. Através da dança, os movimentos do corpo humano adquirem a faculdade de assumir os atributos e poderes dos animais, dos fenômenos meteorológicos ou de qualquer outra ação que se imita ao dançar. Para o Vudu, as danças são essenciais. É através dela que o homem tenta entrar em comunhão a natureza e expressar-se com todo o seu ser para acolher a loa (deus) que se manifestará por ele.

Não existe uma separação clara entre a dança sagrada e a profana, uma vez que é unicamente a expressão de sentimentos. A dor, o sofrimento, o amor, a alegria, a vida ou o luto, se concentra tanto no canto quanto na dança, como se a alma humana se liberasse assim, de todos os seus pesos e temores.

A diferença entre as danças deve-se unicamente à entidade e o ritual que está sendo celebrado. Geralmente as danças profanas, obscenas e alegres são reservadas às loas GUEDES, os senhores da morte, como que para ao ritmo da musica e da dança, recordar aos homens o triunfo do erotismo, da alegria e do simples viver, sobre a morte.

Nos rituais YAMVALU são evocados os movimentos sinuosos da serpente, são danças lânguidas para o deus serpente.

Os ritmos dos tambores (sagrados, durante as cerimônias) são considerados como palavras dos espíritos e seu compasso pode se alterar de triste para alegre, de vivaz para lúgubre, dependendo da entidade que o está utilizando.

Os tambores rituais são fabricados com troncos escolhidos, peles sem defeitos, com muito esmero e durante o processo de fabricação são celebrados ritos especiais no intuito de trazer uma alma própria para esses instrumentos.

Os três principais ritos do Vudu são:

Rada - que é direcionada à aristocracia das loas africanas. Suas entidades são mantenedoras e protetoras da estabilidade das famílias, das tribos e de todo o universo. São rituais de muito prestigio e autoridade, mas são de muita benevolência e tolerância. Para estes rituais são utilizados três tambores feitos de couro de boi.

Petro - as loas destes rituais, são muito mais inflexíveis e maus, podendo inclusive, chegar à crueldade. Neste ritual fluía toda a raiva e sede de vingança dos escravos e onde deixavam descarregar toda sua agressividade reprimida, típica dos que sofrem violências, abusos, humilhações e injustiças. As loas assumem uma imagem justiceira e colérica que pode se desviar para a intransigência e crueldade desenfreadas. Nesses rituais são utilizados dois tambores de pele de cabra.

Zandor - são os rituais mais secretos do Vuduismo. Pouco se encontra na literatura sobre esses rituais e mesmo assim deixam muito espaço para os mitos e para a fantasia. Muitos estudiosos dessa religião consideram esses rituais como variantes dos outros dois, dada a falta total de documentação e do silêncio que o envolve. Os mais devotos acreditam que nesses rituais, os iniciados adquirem a capacidade de se transformarem em animais, em função da ingestão de sucos de plantas medicinais de conhecimentos específicos de certas entidades

Os Deuses

SHANGO - Deus do fogo e do raio.

ORULA - Deus do destino.

ELAGA - Deus dos viajantes.

OBATALA - Deus do bem.

IEMAYA - Deusa das águas e do mar.

ESHU - Deus da vingança.

ALEGDA - Deus dos males. É malvado e temido, mas é também o deus da vida.

LEGBA - Deus do portal entre os mundos dos mortais e o transcendental. É, portanto, o responsável pelo trânsito entre as entidades e os mortais seus protegidos. É também o senhor dos encantamentos e um dos deuses que conhecem o futuro e o destino das pessoas e do universo.

SAMBAYAH DAMBAYAH WEDO (Danhomey) - Significa o ventre da serpente sagrada. DAN, o deus serpente o arco íris. É o deus do dinheiro. O que reparte a fortuna. Prefere os lugares úmidos e é particularmente valorizado e de importância vital para os seguidores do Vodu. Diz a lenda que algumas vezes DAN resolve sair da terra e ir paro o céu. Quando ela se separa da terra e se une a abóbada celeste, deixa um presente para os homens e aquele que o encontrar terá riquezas e felicidade enquanto viver. Uma vez no céu, retira suas vestes molhadas e as coloca nas nuvens para secar, fazendo aparecer o arco íris.

AGUE-TRAOYO - Deus do mar e protetor dos marinheiros.

OGU - Deus guerreiro. Galos negros, brancos e cachorros são os principais sacrifícios para este Loa.
É o deus que conhece todos os segredos da fusão dos metais. Ogu significa ferreiro, e para a religião Vodu, Ogu é o mesmo que Marte e Vulcano eram para os romanos. É também o deus da política e responsável por todos os acidentes.

SAKAPTA - Deus das pragas e das enfermidades. Deve ser muito respeitado, pois em sua ira pode dizimar famílias e mesmo cidades inteiras.

ELIZI FREDA DAHOMEY - Deusa sexual, amante do luxo e do prazer. É tida como a versão negra da deusa grega Afrodite. Antigamente era somente a deusa da fertilidade, atualmente é também o ideal do amor. Bela, caprichosa, atraente e sedutora, já conquistou todos as loas do panteão Vodu. Nos enredos de suas experiências amorosas, quase sempre ELIZI sai insatisfeita e nunca saciada de seu eterno desejo de ser amada.

GUEDES - Deuses da morte. De natureza ambivalentes, muitas vezes espantosos e outras ridículas

O Sincretismo Afro


Vudu, Candomblé e Santeria

Dada a necessidade de se "esconder dentro do cristianismo, acabou surgindo um sincretismo com as religiões africanas. As principais foram o Vudu no Haiti, o Candomblé no Brasil e a Santeria (O Caminho dos Santos) em Cuba.

Os escravos que chegaram nesses países vinham de uma região hoje conhecida como Gana e de uma parte da Nigéria. A maioria era de etnia Yoruba e em seus rituais costumavam sacrificar animais. Por isso, não foi difícil para eles, aceitarem o princípio ritual do sacrifício do cordeiro na missa católica.

Seus deuses começaram a se identificar com alguns santos católicos que tinham características semelhantes.

Os espíritos não são entidades individuais, mas sim combinações de personalidades com várias entidades relacionadas.

Na Santeria existe uma entidade chamada de "Orisha e no Candomblé chama-se "Orixá que é um deus em forma de serpente, bastante semelhante ao Vudu. O deus Yoruba da caça é "Ogou", no Vodu é "Ogoun e no Candomblé "Ogum", entidades do ferro e guerra, identificados no Haiti como Santiago Maior e no Brasil como São Jorge. "Xangô para os Yorubas é o deus do fogo e do trono, que se transformou em Santa Bárbara e, no Brasil em São Gerônimo.

Existem perto de 400 entidades menores, mas somente uma entidade maior. Esta entidade é chamada de "Olorun", "Olodumare ou "Olodum", que é o Soberano do Universo.

As Bonecas Vudu

As bonecas Vodu variam de acordo com a tribo que as confecciona. Não possuem um tamanho específico e podem ser feitas de diversos materiais, como: tecido, cera, madeira, argila, etc. São construídas com um propósito determinado e precisam de um testemunho do que representam.


Abaixo algumas bonecas de trabalho e de proteção:


Este tipo de boneca, com roupas longas e festivas, é utilizada para trabalhar os problemas de fertilidade da mulher ou para induzir no casal o desejo de terem filhos


Boneca utilizada para evocação de proteção ancestral.


Esta boneca mostra o trabalho do Vudu utilizando-se de outras técnicas de cura. Esta é uma boneca preparada para trabalhar com Reiki.


Boneca utilizada para aquietar mulheres muito rebeldes ou promíscuas.


Este boneco é utilizado para as mulheres terem o domínio sobre o homem ou para aquietar homens rebeldes ou promíscuos.


Boneca representativa de entidades, utilizada para proteção e para evocações diversas.

vodu 2

Muito divulgada no mundo, principalmente através dos muitos filmes de terror, a religião vodu é vista sempre por um ângulo extremamente negativo, pois no cinema só é utilizada como instrumento para o mal, cabendo portanto, um olhar mais claro sobre ela.

A exemplo do candomblé, a religião vodu veio da áfrica através dos escravos, no caso da primeira foram escravos vindos da Nigéria (Iorubas e Bantos) que vieram ao Brasil, e no caso do vodu os escravos vieram de Daomé (os Fons) para o Haiti. Por força da pressão exercida pela Igreja Católica, como no Brasil, teve que submeter a um sincretismo religioso entre suas divindades e as divindades cristãs.

A palavra vodu deriva do termo vodun, que significa deus ou espírito no idioma dos fons, caracterizando bem a relação desta religião com o mundo espiritual. Devido à influência católica o vodu possui dois tipos de ritual:

· Rada-canzo – Baseado na influência católica e na magia branca, procura ajudar as pessoas e resolver seus problemas. O sacerdote desses rituais chama-se hougan (ser for homem) ou manbo (se for mulher).

· Petro – É o lado da magia negra, seus rituais têm objetivos malévolos. Nesses rituais são invocados espíritos de destruição e os de sacrifícios de animais são comuns. Nesses rituais também é comum o uso das famosas bonecas vodu (paket), que são queimadas ou furadas com pregos enferrujados para atingir a vítima. O sacerdote nesses rituais chama-se bocorte.

Embora os praticantes do vodu acreditem na existência de um distante deus supremo, o vodu possui um imenso número de deuses que são genericamente chamados de loas. Os loas podem ser aparentados dos santos católicos, podem ser ancestrais que alcançaram o status de deuses, ou deuses africanos, são estas as divindades com as quais os praticantes interagem. Qualquer pessoa, desde que tenha tido uma vida exemplar pode vir a ser um loa. Segundo a crença vodu, os loas se dividem em:

· Loas Rada – São espíritos bons que ligam a indivíduos ou famílias e agem como verdadeiros anjos da guarda.

· Loas Petro – São os maus espíritos, voltados às más ações.

Os loas se comunicam com as pessoas através de sonhos, ou durante as cerimônias vodus quando são incorporados por pessoas, que em estado de transe, transmitem suas mensagens.

Cada grupo de praticantes possui um lugar próprio para realizar suas cerimônias (houmfo), sempre ao som de tambores, danças, preces e preparo de alimentos.

O vodu atualmente é praticado abertamente no Haiti, sendo inclusive utilizado como instrumento de atração de turistas. A Igreja Católica não conseguindo extinguir a sua prática, convive com o vodu, que é praticamente a religião oficial dos camponeses e das classes menos favorecidas.

Os mistérios do Vodu

Maio é o período do ano mais ativo para os adeptos do vodu, pois é quando se intensifica o ritual e magias em busca da “felicidade”.

Quando pensamos em vodu, sempre nos vem à mente bonecos sendo espetados por agulhas. Este conceito pode ser visto até mesmo em um recente comercial de TV, onde uma garota faz uma magia contra um rapaz lançando mão de uma prática vodu. Contudo, esse grupo religioso misterioso envolve muito mais que isso.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o vodu é praticado há mais de cem anos nos Estados de Louisiana e Mississipi. No Haiti, quase toda a população se envolve com o vodu – o país tem o voduísmo como religião oficial. Já no Brasil, o seu exercício foi veiculado com grande sincretismo, pois se misturou ao catolicismo nordestino e aos cultos afros.

O fascínio pelo oculto

O pesquisador Josh Macdowell atribui a busca pelo oculto à curiosidade humana, que conduz o homem ao esforço pelo conhecimento das coisas secretas, aquelas que parecem extrapolar os cinco sentidos. De fato, desde épocas remotas, o homem tem perseguido desvendar o oculto. Segundo comenta a psicóloga e professora universitária Any Lílian, “a busca permanente pelo oculto, em geral, é o que todos fazemos ao tentar alargar nossos conhecimentos, o que pode ser saudável, pois muito do conhecimento filosófico e científico construído pela humanidade se originou de ‘mistérios’ tidos como ocultos no passado, mas que estão desvendados no presente”.

Entretanto, o que temos diante de nós aqui é uma manifestação religiosa rigorosamente ocultista envolvendo elementos que, para muitos, não passariam de lendas religiosas de filmes de terror. Serpentes, fetiches, zumbis, cemitérios e outros itens dão conta de atrair a atenção dos pesquisadores ao “mundo vodu”. O que pretendemos nesta matéria não é promover o voduísmo, mas reportar seus mistérios e crenças exóticas, esclarecendo e informando nossos leitores.

O voduísmo no Haiti

O termo vodum ou vodu, como chamamos, teve sua origem no Oeste da África, num reino chamado Daomé, atualmente conhecido como Benin.Com a escravidão no século 19, os nativos de Daomé foram capturados e levados para que fossem trocados por armas e alimentos por mercadores europeus, o que os levou a se estabelecer em muitas partes das Índias Ocidentais e no Haiti. Como na época a igreja católica demorou a constituir um clero que pudesse batalhar pela religião cristã no Haiti, esta ausência prolongada deu aos escravos a oportunidade de combinarem a sua religião, o vodu, com o catolicismo, formando um denso sincretismo (mistura) religioso. Diz-se que 95% dos haitianos são católicos e 100%, adeptos do vodu. Tanto é assim que, às vezes, é difícil determinar onde acaba o catolicismo e começa o voduísmo.

O presidente haitiano, Jean Bertrand Aristides, ex-padre católico, declarou, em abril de 2003, o vodu como religião oficial do país. Com essa posição do governo, os casamentos realizados no vodu passaram a ser aceitos e considerados oficiais, tendo valor religioso, como ocorre com as demais religiões ao redor do mundo.

Contudo, apesar da proeminência voduísta no país, existe também um trabalho missionário cristão que tem incomodado o sossego desse grupo. O fundador da Missão Evangélica do Norte do Haiti, Jean Berthony, promove anualmente uma campanha evangelística no país, o que tem gerado bons resultados. Numa dessas ocasiões, as autoridades locais proibiram o seu trabalho, declarando que a cruzada evangelística do pastor Berthony teria sido a responsável por expulsar todos os espíritos vodus do país durante um tempo.

Mas a importância do vodu no Haiti ultrapassa o âmbito religioso. O turismo haitiano tem explorado o voduísmo com afinco. A ministra do turismo, Martine Deverson, disse: “Hoje em dia existe uma consciência maior do patrimônio cultural do Haiti, e o vodu, apesar de freqüentemente ser confundido com magia negra, pode ser fator de atração para os visitantes”.

A adoração no voduísmo

Como em muitas religiões, o vodu também possui um templo. Mas o que caracteriza o santuário é uma coluna chamada poteau-mitan. Localizada no centro do templo, essa coluna é considerada sagrada pelos seguidores e é em sua volta que as cerimônias de comunicação com as divindades são realizadas. Ao redor da poteau encontram-se desenhos decorativos chamados vevers. São representações heliográficas de diversas entidades adoradas no vodu. Aliás, entidades é que não faltam no vodu, que possui um grande panteão.

Os nomes das divindades se alteram, dependendo da região onde o ritual é praticado, mas a maioria dos adeptos dessa prática considera que o panteão veio do Oeste africano. As entidades desses panteões, por muitas vezes, são consideradas pelos adeptos como espíritos de pessoas que já morreram, homens que tiveram importância dentro da comunidade religiosa, príncipes ou sacerdotes. Esses espíritos levam o nome de loas, e podem ser classificados em entidades de dois grupos:

Rada:: entidades transmitidas por Daomé.
Petros : entidades que, ao longo do tempo, infiltraram-se na prática religiosa vodu.
Segundo a crença vodu, as manifestações dos grupos petros e rada têm personalidades e sensibilidades definidas e procuram sempre seguir uma família específica de adeptos. Outras divindades são públicas, manifestando-se em qualquer pessoa. Hungans e mambos

A maioria das religiões possui líderes que conduzem seus cultos e rituais. No vodu isso também existe, eles são conhecidos por hungans. A mulher também tem a sua participação, porém, a terminologia a ela conferida é mambo.

Existem algumas informações que apontam o voduísmo como uma religião matriarcal, na qual a mambo é conhecida também como rainha, porém, é o hungan que preside o hunfort, o santuário religioso. O sacerdote vodu possui várias posições: atua como curandeiro, adivinho e exorcista. Nas comunidades em que se observa a falta do sacerdote a mulher toma a frente, sendo considerada a maior autoridade religiosa.

Cerimoniais vodu

Geralmente, as cerimônias são realizadas no período noturno. Fazem parte do ritual: bebidas de rum, frutas e jarros de barros. As bebidas e comidas são erguidas e oferecidas aos loas, para invocá-los. No intuito de alegrar essas entidades, os voduístas lhes oferecem também sacrifícios de aves, porcos, galinhas, bodes e afins. Após as oferendas com danças, os loas possuem os corpos de seus súditos. É interessante que nas possessões os indivíduos não possuem consciência daquilo que fazem e, conseqüentemente, não se lembram de nada após o término do ritual.

No vodu, mais ou menos como ocorre na Umbanda, as danças em volta da ponteau-mitan são de suma importância, pois servem para se obter a espiritualidade: as pessoas que envolvem com a dança são mais rapidamente possuídas. Para cada divindade existe um tipo de música, instrumento e ritmos específicos, segundo o gosto de cada loa, que exige que tudo seja purificado e consagrado para o ritual. Na Umbanda, os atabaques também são consagrados para fazer que os orixás de Aruanda e Orum se manifestem.

As serpentes também fazem parte de alguns cerimoniais. No ritual chamado mambo, o réptil é retirado de um cesto e posto bem próximo do rosto da sacerdotisa que, ao tocar no animal, recebe, supostamente, visão especial e poderes sobrenaturais.

Segundo a crença vodu, os primeiros homens criados eram cegos e foi justamente a serpente que conferiu visão à espécie humana.

Boneco vodu

Sem dúvida, o boneco vodu é o primeiro elemento que vem à mente dos leigos quando se fala em voduísmo. Tal objeto é empregado para invocar os poderes dos deuses do vodu e recebe o nome de fetiche, que significa feitiço. O fetiche é confeccionado por quem irá realizar o trabalho de magia e, enquanto é feito, a pessoa tem de mentalizar os objetivos que quer alcançar com o ritual e “transmitir” sua energia ao boneco.

O fetiche deve ser feito com a semelhança anatômica de uma pessoa: cabeça, tronco e membros. Partes indispensáveis para a “eficácia” da magia são os órgãos genitais masculinos ou femininos. O boneco precisa ser batizado com o nome da pessoa que irá representar e, geralmente, é feito de massa de modelar, nunca de pano ou outro material.

Segundo as sacerdotisas, tais bonecos são feitos para realizar o bem, para se alcançar prosperidade e curas. O que pessoa precisa fazer é perfurá-los com espetos ou alfinetes. Mas na prática as intenções nem sempre são essas.

Zumbis

Outro elemento do culto vodu é o zumbi. O cinema norte-americano popularizou esses “personagens” em seus filmes. Todavia, os seguidores do vodu dizem o seguinte: “Aquilo que o cinema mostra é totalmente diferente do que é feito na prática vodu. Os zumbis não são pessoas mortas, como divulga o cinema”.

Na verdade, segundo os ensinos vodus, o processo para se chegar a ser um zumbi é feito por meio de ervas que contêm substâncias capazes de deixar a pessoa em um estado de “morto-vivo”. Para o médico Carlos Alberto Serafim, especialista em cardiologia, esses compostos de ervas deixam o batimento cardíaco mais lento. As ervas utilizadas pelos sacerdotes têm a capacidade de dilatar as pupilas, fazendo a pessoa perder a sensibilidade à luz e deixando-a em um estado de transe, o que facilita o processo de ritual feito pelo sacerdote, uma vez que o candidato torna-se totalmente manipulável.

O pesquisador e antropólogo do museu botânico da universidade de Harvard, Estados Unidos, Wade Davis, que se envolveu com a sociedade secreta do Haiti, foi procurado há algum tempo por dois psiquiatras que acreditavam existir uma poderosa droga capaz de transformar uma pessoa em zumbi. Davis explicou o seguinte:

“O ritual se dá por meio da magia negra [...] a vítima tem todo o indício de morte aparente, quase não respira, tem a pele fria, quase não tem pulsação e, mesmo assim, está viva”.

Isto se deve ao fato de a pessoa ficar horas sem oxigenação no cérebro, o que reduz o seu nível de consciência. O curioso é que entre os componentes da fórmula utilizada pelos feiticeiros podem ser encontrados narcóticos, tetradotoxina, veneno neurotóxico e até veneno de rãs. O feitiço do zumbi

Dentro do sistema de crenças vodus, o zumbi é um dos feitiços mais temidos. Muito mais do que a magia dos bonecos.

O bokor, praticante de magias e feitiços, possuído por uma entidade chamada Baron Samedi, fornece as diretrizes para a pessoa que deseja praticar a magia. O “cliente” tem de ir ao cemitério, à meia-noite, e ali apresentar ofertas especiais às divindades. Dali, ele deve tomar um punhado de terra para cada pessoa que deseja matar (esta é considerada uma magia negra para a morte). Após pegar a terra, o praticante deve espalhá-la pelos lugares em que suas vítimas costumam passar. Depois, retira algumas pedras de um túmulo, as quais servirão como instrumentos para realizar o designo maligno. Quando o praticante joga a pedra na porta da casa da pessoa para qual a magia foi direcionada, a vítima começa a adoecer e a emagrecer, chegando à morte em um curto espaço de tempo.

Mas, segundo a crença vodu, o feitiço pode ser desfeito. Se por acaso esta pessoa for diagnosticada a tempo de que recebeu o tal feitiço, ela deve procurar um hungan rapidamente para retirar-lhe a magia e expulsar os maus espíritos.

Biblicamente, sabemos que o crente não precisa se preocupar com feitiços de nenhuma espécie, por mais assustadores que sejam. A palavra de ordem para que o cristão não seja alvo destes e de outros dardos do diabo é temer a Deus: “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Sl 34.7). Em nossas vidas, a maldição sem causa não se cumpre (Pv 26.2).

Magia do bem ou do mal?

Apesar de tudo isso, existe uma certa militância por parte de alguns voduístas em insistir que a magia vodu trabalha para o bem. No vodu, a idéia de distinção entre a magia do bem e do mal é difundida com esmero, pois a sacerdotisa ou o sacerdote geralmente recusa-se a realizar magia negra que, segundo eles, se destinaria apenas aos bokors – oficiantes do ritual com fins maléficos. Assim, hungans e manbos realizam rituais para o “bem” e os bokors, para o mal.

Analisando algumas manifestações afro-brasileiras, vemos que existe também uma grande preocupação em não macular sua prática religiosa, a fim de que seus conceitos e propósitos não sejam confundidos. Os umbandistas, por exemplo, se esforçam em pregar que sua religião desenvolve magias voltadas para o bem, enquanto que a Quimbanda, para o mal. Todavia, ao verificarmos as práticas observadas pelos dois segmentos, constatamos que seus elementos ritualísticos são rigorosamente idênticos. Por exemplo, as oferendas com sacrifícios de animais e os toques dos tambores e danças são partes peculiares dos cultos afros. Semelhantemente, isso ocorre também no Candomblé, onde a prática de sacrifícios de animais é “exigida” pelas entidades por ocasião das possessões dos espíritos.

Rótulo diferente, embalagem igual

Como o leitor pode perceber, o nome vodu, em relação a algumas manifestações afros, pode até ser diferente, mas os fundamentos principais expressados em suas práticas não são tão estranhos assim, quando comparados com as práticas exercidas nas macumbas, independente da linha a que pertencem: Umbanda, Quimbanda, Candomblé... onde os fetiches do vodu são substituídos pelos patuás.

Até o sincretismo do voduísmo com o catolicismo do Haiti pode ser claramente enxergado no Brasil por meio dos cultos afros. Podem-se alterar os nomes, mas as castas espirituais são as mesmas: orixás africanos e santos católicos dividem os mesmos altares. Se no vodu o lado da “esquerda” existe, no Brasil temos a Quimbanda. Tal como no voduísmo, nos cultos afro-brasileiros também são feitos “trabalhos” em cemitérios e oferendas em cachoeiras, encruzilhadas, etc. Aliás, muitas iniciações da Quimbanda são feitas em cemitérios. Enquanto no vodu confeccionam-se fetiches batizados com o nome da pessoa que se almeja atingir, nos cultos afro-brasileiros costuram-se as bocas dos sapos com o nome da pessoa dentro. O vodu pede um período de preparo para os iniciados, no Candomblé o iniciado deve se preparar por alguns meses. Os pais e mães-de-santo possuem os mesmos atributos dos hungans e das mambos.

A herança espiritual muda de nome, mas não muda de senhor. O rótulo é diferente, mas a embalagem é igual!

Contra o vodu

A prática vodu é feitiçaria sem maquilagem. A Bíblia identifica tais práticas como cultos demoníacos. A história relata que a igreja primitiva teve de ser submetida a constantes advertências por parte dos apóstolos porque os cristãos daquele tempo eram seduzidos a buscar nos feitiços e magias a “felicidade”. Hoje em dia, é isso o que constatamos entre aqueles que não têm suas vidas regidas pela Palavra de Deus. A Bíblia é expressa em apresentar sua oposição aos sacrifícios dos cultos afro-brasileiros ou voduístas: “Que digo pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam é a demônios que a sacrificam e não a Deus...” (1Co 10.19,20).

Para que possamos alcançar bênçãos, curas e outros benefícios, seja para nós ou para nossos amigos, parentes ou irmãos, não precisamos confeccionar nem “energizar” nenhum objeto, principalmente bonecos. Tampouco devemos ter medo de magias, pois a Bíblia nos assegura que contra os crentes o encantamento é inválido, não tem eficácia (Nm 23.23).

Quando precisarmos de algo, devemos recorremos ao Senhor nosso Deus, colocando diante dele nossas necessidades (Mt 21.22; Mc 11.24). Somos purificados pela luz divina e não por meio de rituais tenebrosos. Para tanto, devemos apenas andar na presença de Deus, mantendo comunhão uns com os outros. Agindo assim, o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado (1Jo 1.7).

Muitos brasileiros (inclusive alguns crentes, infelizmente) possuem certa tendência ao misticismo, o que os leva a assediar o oculto, e isso, muitas vezes, os torna vítimas de seus próprios desejos. Aos crentes com essa tendência, devem, a todo custo, resistir a tais ensinos e seguir a receita básica diária para a sua vida espiritual: leitura bíblica, oração, testemunho e santificação. Somente assim conseguirão sair vitoriosos diante das setas inflamadas do diabo. Um homem com duas almas

Os haitianos praticantes do vodu acreditam que o homem possui duas almas:

Gros bon ange: cuja tradução é: “grande anjo bom”. Essa alma, segundo acreditam os haitianos, tem a capacidade de sair do corpo enquanto a pessoa dorme. E, se não retornar, a pessoa morre.

Petit bon ange: traduzido quer dizer “pequeno anjo bom”. Essa alma, segundo crêem, proteger e guiar o adepto. Quando a pessoa morre, ela permanece por alguns dias guardando o corpo. Somente após um período de nove dias, contando a partir do sepultamento, é realizado um ritual para afastá-la.

Como a reencarnação faz parte da crença vodu, seus praticantes acreditam que a petit bon ange se transforma em algum objeto ou animal, geralmente uma grande serpente. Após a transformação, se aos rituais de sacrifícios e cerimônias, sob a responsabilidade dos parentes, forem negligenciados, a vingança da petit bon ange se volta contra eles.

rituais vodu

Para obter Prosperidade

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Faça o boneco com massa de modelar e amarre nele um papel com o nome da pessoa que poderá ajudá-lo (a).
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Deite o boneco no centro de um círculo com nove velas acesas.
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Coloque nove moedas no círculo.
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Ofereça ao loa do dinheiro.

Para ser feliz no Amor

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Prepare o boneco, escreva o nome da pessoa amada num papel e amarre-o nele.
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Se tiver um retrato dela, cole-o no rosto do fetiche.
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Coloque nove velas brancas em volta do boneco e ofereça ao loa do amor.

Para atrair Clientes

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Lave sua loja com água, amoníaco, açúcar e noz-moscada.
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Ofereça ao loa da fortuna.
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Esse trabalho não utiliza o fetiche.

Para atrair Sorte

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Prepare o boneco e prenda a ele o nome de quem você deseja beneficiar.
*

Se tiver uma foto, cole- a no rosto do fetiche.
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Coloque nove punhados de arroz ao redor do boneco e ofereça ao loa da sorte.

Para viver um Amor Ardente

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Na Lua cheia, nova ou crescente, faça o boneco com o nome da pessoa amada.
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Disponha nove pimentas vermelhas em círculo e acenda nove velas vermelhas.
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Coloque mel sobre o boneco e em torno das velas e das pimentas.

Para ter mais Saúde

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Prepare o fetiche, prenda a ele um papel com o nome da pessoa para quem você deseja saúde e espalhe pipocas num círculo com 9 velas brancas.
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Mentalize o pedido, oferecendo-o ao loa da saúde.

Para obter uma Promoção

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Prepare o boneco, prenda nele o nome de quem possa autorizar a promoção e coloque-o no centro do círculo traçado com pemba.
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Acenda 9 velas de duas cores vermelha e preta e coloque-as em círculo
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Corte 9 pedaços de uma maçã e coloque-os ao lado de cada vela.
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Ponha uma moeda sobre cada rodela.
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Desde o início da preparação, mentalize o pedido de promoção, endereçado ao loa da fortuna.

Para ficar mais Atraente

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Faça uma infusão de pétalas de rosa com água e tome um banho com essa poção.
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Depois , perfume-se com almíscar.
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Invoque o loa da beleza e prepare o boneco colocando nele um papel com seu próprio nome.
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Coloque-o no meio de um círculo com 9 rosas vermelhas e 9 velas vermelhas .
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O ritual deve ser feito num Sábado de Lua cheia.

Para conseguir uma Viagem

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Prepare o vodu e prenda nele um papel com o nome de quem quer viajar. Num dia de Lua cheia, nova ou crescente, faça um círculo com 9 velas brancas e 9 frutas.
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As frutas devem ser cortadas e colocadas abertas no círculo.
*

Derrame um pouco de mel sobre elas.
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Use qualquer fruta exceto abacaxi, caju ou tangerina, que nesse tipo de ritual atraem forças negativas.

Para alcançar Harmonia na Família

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Prepare uma bola de cera branca, misturando na massa de cera um papel com os nomes dos membros da sua família.
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Leve a bola para uma praia ou um jardim florido.
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Coloque em círculo 9 rosas brancas e 9 velas brancas acesas.
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Invoque o loa da harmonia, pedindo-lhe paz para a família.
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O dia ideal para isso é Domingo, dia de todos os loas.

Para ganhar muito Dinheiro

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Escreva num papel seu nome e a quantia que deseja receber e coloque-o no interior de uma bola de cera branca.
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Ofereça esse vodu ao loa do dinheiro

Para passar no vestibular

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Faça uma bola de cera branca, misturando na massa de cera um papel com o nome da pessoa que vai fazer vestibular, e o nome da faculdade em que ela deseja estudar.
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Coloque a bola no centro de um círculo feito por 9 velas vermelhas e nove pedaços de cristal de quartzo.
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Esse trabalho não requer a elaboração do boneco

Para conseguir um namorado

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Tome um banho de plantas que atraem o amor - por exemplo, manjericão cheiroso, ou oriri, que são plantas do loa do amor fáceis de se obter- .
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Macere a erva na água esfregando as mãos para tirar o sumo;
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é essencial deixar a mistura descansar de madrugada no sereno.
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Coloque umas gotas de mel ou umas pitadas de açúcar.
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Retire a mistura antes de o Sol nascer.
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O banho pode ser tomado a qualquer hora.
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Depois, jogue fora a água, enquanto pede proteção ao loa do amor. Prepare também o vodu do futuro namorado.
*

Monte um círculo de flores – palmas brancas, por exemplo – e peça um bom parceiro ao loa do amor.

A ERA DOS VAMPIROS

Como vimos, o vampirismo é uma lenda presente desde tempos remotos e em diversas regiões, no entanto, no século XVIII assistimos a uma verdadeira avalanche de casos e histórias, quase todas oriundas da Europa Oriental, que colocou em polvorosa a opinião pública e despertou a curiosidade e o espanto de filósofos, religiosos e autoridades governamentais.

Conhecido como o século das luzes, foi uma época em que o saber e a ciência davam passos consideráveis. Pensava-se que a razão tudo explicaria, e que crenças e supertições seriam coisas do passado. Por outro lado, as seitas místicas e esotéricas também aumentavam, o que fazia desta época, um tempo de contradições. Jornais franceses desta época chegaram a estampar reportagens sobre impressionantes histórias, que fazia do vampirismo um assunto dos mais destacados.

Conta-se que neste tempo, em muitas regiões da Europa Oriental o vampirismo tornou-se uma verdadeira praga, atingindo dezenas de jovens, velhos, crianças e até mesmo animais. Por esta época, segundo as narrativas, hordas de mortos-vivos assombravam de forma horripilante vilas e aldeias, fala-se que a volúpia destes espectros era tamanha que seus cadáveres eram encontrados nadando em sangue por suas sepulturas. Diante tal realidade, as autoridades passaram a encarar o vampirismo, na medida em que tratava-se de uma epidemia incontrolável, segundo muitos relatos. Para se Ter uma idéia, conta-se que soberanos húngaros, chegaram a determinar a formação de comissões para estudar o fenômeno, considerado uma praga que colocava em risco o poder do estado e das autoridades constituídas. Neste tempo, chegou-se a determinar a incineração, decapitação e perfuração dos corações de todos os cadáveres de cemitérios, onde por ventura habitassem um ou mais vampiros, na medida em que supunha-se que o vírus do vampir poderia inclusive atingir os mortos que ali jaziam. Fala-se que nesta época, fogueiras ardiam por muito tempo incinerando diversos cadáveres suspeitos de vampirismo, e que durante estes grandes rituais de incineração, todos os animais que se encontrassem na proximidades também eram queimados, pois acreditava-se que os vampiros poderiam encarnar em alguns deles, escapando assim da destruição definitiva.


"Se há no mundo uma história provada, é a dos Vampiros..." Jean Jacques
Rousseau, Carta ao Arcebispo de Paris

"Não falta nada: autos, certificados de homens notáveis, de cirurgiões, de magistrados. A prova jurídica é a mais completa. Com tudo isto, quem acredita pois nos Vampiros ?..." Jean Jacques Rosseau, Carta ao Arcebispo de Paris

"Em certas regiões da Morávia, era muito comum homens mortos aparecerem na companhia dos vivos." D. Calmet, Dissertation sur les Revenants, Vampires, de Hongrie, Bohême et Moravie, III

"As almas, possuídas por uma força estígia, voltam às vezes para cadáveres
que tinham abandonado, e então, como se estivessem ressuscitadas, cumprem
ações horríveis..." H. C. Agrippa, A filosofia Oculta, Livro III, 41.

VODU E VAMPIRISMO

Vodu e Vampirismo Vodu é uma palavra do dialeto africano fongbé de Dahomé na África. Designa a vida religiosa, o culto. O vodu em sua origem se referia ao antiquíssimo culto da Serpente, Dangbé (Damballa no Haiti). Nos templos do deus havia inúmeras sacerdotisas, responsáveis pelo seu culto. Nas cerimônias de vodu, o sangue é oferecido as Loas (divindades, similar aos Orixás), e também é bebido, desta forma o sacerdote vodu é possuído pelo Loa. O vodu usa os veves, que são desenhos simbólicos que representam e atraem os Loas, lembrando os pontos riscados afros brasileiros, e a magia talismânica medieval. No panteão Vodu o Barão Samedi tem especial relevância para o nosso estudo. Samedi, palavra de origem francesa inspirada em sábado. Sábado, um dia especial para o fenômeno do vampiro devido a todas as sua implicações, dia consagrado a Saturno. Regente do signo de Capricórnio, 22 de dezembro a 22 de janeiro, justamente um período onde as forças das trevas caminham pelo mundo, inúmeros casos de vampirismo são registrados em várias culturas nesta época. A morte é intimamente associada a Saturno, o Cronos grego, devorador dos próprios filhos, ligado ao bode sabático, ao Bafomé Templário, ao sabás das bruxas. Para a cabala, Binah, (ver capítulo...) a grande mãe, tanto é quem dá a vida como a que absorve, simbolizada pela terra onde o corpo é depositado. O Barão Samedi é o senhor dos mortos, que ressuscita deste reino justamente no sábado. É o imperador dos cemitérios, dos ritos fúnebres. Quando o Sol esta em Escorpião, em especial no mês de novembro, as almas dos mortos estão andando sobre a terra. Esta crença do Vodu lembra o Halloween e o Samhain Celta onde os portais entre os mundos estavam abertos. De acordo com convicção do Vodu haitiano, toda pessoa tem duas almas: Quando uma pessoa morre, uma das almas segue para o céu. A outra alma fica nas proximidades do cadáver, ou vagando pelo mundo. Esta alma que vaga pelo mundo muitas vezes é chamada de zumbi, que pode ser a alma de alguém que teve morte violenta, uma adolescente, ou uma pessoa que por qualquer motivo não teve os ritos fúnebres. Também o nome zumbi também designa uma alma que foi escravizada por um sacerdote vodu, prática também encontrada entre magos egípcios. O sacerdote tem esta alma como escrava para realizar seus intentos. Aleister Crowley alerta que certas práticas de vampirismo além de drenar o individuo, podem escravizar a alma após a morte através do vampirismo. O rito é feito à noite em um cemitério, e o Barão Samedi é invocado. Este tipo de zumbi pode ser enviado contra alguém, causando obsessão. Ele consome a vitalidade da pessoa, matando-a eventualmente. Outra forma de zumbi é o morto-vivo, ou talvez melhor seria vivo morto. O método é o mesmo narrado acima, com a variante que a vítima ainda esta viva. Mas ela perde totalmente sua vontade, ficando a mercê do sacerdote vodu. Possivelmente ervas são usadas para facilitar o ato, a vítima as ingere, ou são jogadas na casa onde habita. A forma mais conhecida de Zumbi é aquela feita após a morte, onde o sacerdote vodu rouba o cadáver da sepultura, e através de rituais o reanima. Willian Seabrook, numa visita ao Haiti relata vários rituais Vodus e a crença em Vampiros. Ele menciona que os vampiros são mulheres, podem ser que vivas ou mortas, que saem à noite para sugar o sangue de crianças. Os lobisomens, chauches em crioulo, eram homens e mulheres que se transformavam em lobos para atacar a criação. Outras fontes mencionam que as bruxas do Haiti e Caribe eram chamadas Loupgarou (lobisomem em francês). Suas capacidades mágicas eram atribuídas a um pacto feito com o demônio. Em troca, elas ofereciam sangue de suas vítimas a ele todas as noites. Elas faziam esses ataques usando seu corpo astral. O Asema, o vampiro do Suriname, faz seus ataques à noite como uma bola de luz, também entrando por frestas.

BRUXARIA E VAMPIRISMO

Bruxaria e Vampirismo Oh amigo e parceiro da noite, tu que te extasias com o ladrar dos cães acuando suas presas, com o sangue vertido, vagueias em meio às sombras passeando entre tumbas, cobiças o sangue e fazes tremer de temor os mortais! Gorgo, Mormo, a Lua de mil faces, apreciem os nossos sacrifícios. A Magia como um todo está inclusa na história do vampirismo, seja a bruxaria, o xamanismo ou o vodu, não importa o rótulo. Mas onde reside o porquê desta associação, mera crendice? Muito possivelmente, não, quase sem medo de errar, a afirmação mais correta seria que a Magia é a grande motivadora do vampirismo. Quando uso o termo Magia estou expandindo o seu significado original e lhe atribuindo uma nova valoração. Sendo entendido como Magia toda a relação do ser humano com o mistério e o oculto, na tentativa de tentar compreendê-lo, mas acima de tudo de compreender a si mesmo, como individuo e espécie. A ciência é prima-irmã da Magia, e não poderíamos deixar de juntar a este nosso conceito expandido, os fenômenos parapsicológicos. Melhor que toda esta minha verborragia são os pensamentos de um certo escritor, em especial ao que tange e pode ser aplicado ao vampirismo. Arthur Machen, em algumas de suas obras, tem uma visão iluminada, muito similar aos axiomas de To Mega Therion. A sua obra faculta algumas reflexões bastante interessantes, que levam do vulgar ao estupor, e maravilham o Régio. Por mais que Machen mantenha aparentemente uma visão maniqueísta, ele insufla idéias fantásticas. Dentre elas nós temos os kalas, os centros secretos do organismo humano, terras inexploradas para o seu possuidor, outra afirmação de uma de suas obras faz lembrar Nietzsche, além do bem e do mal. Os senhores do mundo devem ir além do bem e do mal, só aqueles que os conhecem e que a eles transcendem chegarão ao mundo real, a causa última de tudo. Tomar o céu de assalto, querer ser deus, a maior de todas as blasfêmias. Estes que assim agem são ascetas negros e, como os outros iniciados, comungam, só que com as forças dos abismos profundos, onde habita o mal. Não sejamos vulgares, estes que assim agem muitas vezes tem a conduta mais ilibada de que os santos. Os iniciados do caminho da mão direita tentam elevar sua consciência rumo ao divino, levando uma vida sã, são extasiados pelo espírito. Os ascetas negros são movidos por uma paixão aterradora em sua busca pelos mistérios inversos. Os motivos de seus anseios escapam ao comum. Somente o iluminado, conhecedor da luz e sombra capta o seu conhecimento. A bruxaria e os cultos femininos são tão antigos quanto o tempo. No Paleolítico, o corpo da mulher era sagrado, divino por natureza, mistério, a anima mundi. As mulheres eram para muitos antropólogos e mitólogos as portadoras do saber e poder Mágico. Tanto é que há mitologias em todo o globo tratando do processo que os homens tiveram que encetar para tentar controlar este poder. Em resposta a este poder foram criadas as sociedades secretas exclusivamente masculinas, similares à maçonaria de hoje. O enfoque feminino possivelmente era mais ligado às plantas e o masculino aos animais. Este conflito retrata uma deusa imanente versus um deus transcendente. Muito do mal e do demoníaco associado à mulher é advindo desta transição. Sabemos que os deuses dos vencidos são os demônios dos vencedores, e com o arquétipo feminino não foi diferente. Para as culturas antigas o vampirismo estava intimamente associado ao feminino: Lâmia, Lilith e uma infinita turba de lascivas e demoníacas entidades femininas. É bem sabido que, para as grandes religiões de hoje em dia, a mulher é associada ao mal, ao pecado e à tentação. Algumas teorias, como já vimos, falam de uma era matriarcal que teria sido sobrepujada pela patriarcal, por mais que este dado antropológico gere polêmica, ele se apóia na psicologia interna, uma identificação com a mãe e a fase oral, e o patriarcado, a fase fálica. E fácil imaginar que esta mudança não ocorreu de uma só vez, e também foi feita de forma violenta muitas vezes. Encontraremos resquícios em várias partes do mundo, pois nos judeus até hoje um filho de mãe judia é judeu, mas o de pai judeu não. Para a compreensão destes fatos e sua ligação com o vampirismo, iremos tratar de um arquétipo que sintetiza sobremaneira a miríade de elementos da Magia e do Vampirismo.